Ads Top

Creed - A luta pessoal do homem negro pela sua identidade - parte 1


Creed 2 saiu nos cinemas já faz algum tempo, mas esta não é uma análise sob o ponto de vista da crítica, mas sim um breve ensaio sobre a construção da masculinidade negra ao longo dos dois filmes.


Primeiro, Creed: Nascido para lutar utiliza como base a existência de um filho de Apolo Creed, morto por Ivan Drago em Rocky IV. Desse modo, Mary Ann Creed adota o garoto e o cria como se fosse seu. Problemático e brigão, Adonis cresce e se torna membro de uma empresa respeitável, escondendo da mãe seu gosto pelo boxe e suas lutas pelos Estados Unidos e México.


No primeiro filme pode-se perceber como a perda do pai afeta Adonis, que acaba vendo em seus treinadores a figura masculina que precisa estar lá para orientá-lo. Tudo muda, claro, quando Adonis se encontra com Rocky, estabelecendo com ele uma complicada relação "Tio-Sobrinho" que vai se desenvolvendo aos trancos e barrancos até adquirir consistência. Durante este período, conhece Bianca, uma cantora que está sofrendo a perda gradual da audição.


O treino de Adonis no primeiro filme é todo inspirado no treino pouco convencional de Rocky em seus primeiros filmes, como perseguir galinhas, treinar na rua sobre a neve ou subir escadas em ritmos alucinantes. Além do físico, Rocky  estabelece com Adonis um treino mental que o torna forte em diferentes aspectos, fazendo-o entrar em seu primeiro conflito interno: ele é um Johnson, como a mãe ou deve seguir o legado do pai e ser um Creed?

Quem é Adonis?

Esta busca é o que dá base para o primeiro filme, este conflito interno de pertencer a dois mundos, mas não se sentir parte de nenhum deles. Adonis não é o típico jovem de periferia, ele é rico, estudou em colégios caros, possui um mustang e seu único contato com o gueto é através do treino de box - o único legado que o pai deixou.

O mais interessante de Creed é a forma que esse desenvolvimento de Adonis vai acontecendo, pois conforme seu potencial para a luta vai se desenvolvendo, sua personalidade também vai mudando: de um jovem revoltado e agressivo, para um lutador focado e persistente. Mas, ainda assim, de cabeça quente.


Rocky, por outro lado, se mantém como o velho professor, meio cansado da vida do boxe, mas apaixonado demais para desistir completamente. Mais do que um conselheiro, ele atua como a consciência de Creed, fazendo-o raciocinar melhor em suas escolhas e tentar entender o mundo através de seu próprio ponto de vista, ao invés de se apoiar sempre na figura do pai. Ao mesmo tempo, ele também serve como um livro de história, como a única testemunha que conheceu Apolo Creed  o suficiente para entender suas motivações e o que o levariam a desafiar Ivan Drago.


Creed: Nascido para lutar, em resumo, fala do jovem homem negro que cresce sem a referência paterna, sem um local de fala e sem uma base masculina na qual se apoiar e que o torna um fantoche social que o molda contra sua real natureza. Uma parte destes homens, claro, conta com o apoio da mãe, do avô ou de um tio como figura paterna - mas a maioria, uma grande e esmagadora maioria, precisa encontrar o por que de lutar, sem essa referência.














Acompanhe o EBlack no Facebook

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.