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Como a Unilever sempre estimulou o Racismo através do Clareamento de Pele no mundo

Recentemente fomos impactados com uma das propagandas mais racistas que podemos encontrar nos tempos modernos. Na imagem, uma mulher n...



Recentemente fomos impactados com uma das propagandas mais racistas que podemos encontrar nos tempos modernos. Na imagem, uma mulher negra retira sua camiseta, que tem a cor da sua pele, e revela uma outra mulher branca, ruiva de pele extremamente branca por baixo.  O caso causou indignação e fez a própria empresa se desculpar.

O que foi bom, pois serviu para despertar muita gente para uma realidade mundial. O clareamento de pele e o racismo velado atrás dessa prática. Entendo que muita gente vai ler essa frase acima torcendo o nariz, mas é uma realidade triste e que faz com que milhares de pessoas, todos os dias, se sintam inferiores por não ter uma pele "branca".



Do outro lado da discussão tem empresários e empresas que conhecem essa realidade, entendem todos os aspectos sociais que essa discussão carrega e se apropria disso como um "diferencial estratégico". O caso em discussão foi com a marca Dove, mas é a dona desse nome que sempre utilizou a prática para capitalizar.

Não foi um caso isolado da Unilever - dona da marca Dove e tantas outras famosas. E pode até ter sido um uma falta de atenção sobre o seu racismo institucional, aquele que involuntariamente já considera normal ter uma pele mais clara como padrão de beleza. Porém a empresa deliberadamente já promoveu esse mesmo ideal racista em países aonde essa questão não é levantada. Como na Índia, aonde o sistema de castas e colonização criou uma narrativa global, onde aqueles que estão no topo da sociedade têm uma pele clara.

E o mercado lá é agressivo, entre 2005 e 2010 foram lançados mais de 240 produtos para clareamento de pele. Na mesma intensidade, a Índia chegou a ser considerado um dos países mais racistas do mundo (até hoje centenas de atentados contra negros acontecem porque eles odeiam a pele escura).

As grandes empresas utilizam essa dinâmica social para capitalizar, com vários produtos para clarear bebês, homens e mulheres. Isso não seria problema algum para empresas como a Unilever, não fosse a internet.


Um dos casos mais recentes a marca Vaseline criou um app para Facebook que clareava as fotos dos homens para deixá-los mais atraentes. Também foi muito criticado, mas a empresa não se importou muito (na época esses assuntos não eram tão relevantes?). Em resposta a CNN a  Unilever simplesmente afirmou que "os produtos de iluminação da pele são culturalmente relevantes na Índia". Ou seja, se o racismo for Cultura, então vamos fazer dinheiro.




Tempos depois a uma ONG Indiana promoveu a campanha Dark is Beautiful, entregando (inclusive) uma petição com mais de 30 mil assinaturas para a empresa, a fim de que parassem de perpetuar o racismo em suas propagandas.

O pior é sempre o argumento por trás da campanha, nunca é "cuide da sua pele ou remova as imperfeições para estimular sua REAL BELEZA", é sempre sinta-se melhor sendo mais branco. Em entrevista ao The Guardian o diretor da campanha ressaltou "Vimos como isso faz com que os jovens - especialmente as jovens - se sintam como se não fossem suficientemente bons."

Uma pesquisa realizada em 2009 por uma empresa de encontros on-line no norte da Índia descobriu que eles classificam o tom de pele como o fator mais importante na escolha de um parceiro romântico. E novamente a Unilever se apropria de um argumento escuso e colonizador para lançar Ponds - produto que também é vendido na Tailândia, outro país aonde as questões de clareamento de pele racistas são explícitas na cultura local. 

Não preciso falar muita coisa sobre esse produto, a série de vídeos para promove-lo é bem clara. Quanto mais clara é a pele da protagonista, mais próxima ela vai ficando do homem dos seus sonhos. No começo ele sequer a notava.



O nome do creme é exatamente o oposto da campanha criada pela ONG Indiana. White Beauty. E eles usam um tipo de eufemismo em seu material impresso, falando sobre a beleza por trás das células escuras da pele.



Algumas peças publicitárias do produto trazem inscrições que tentam usar a ciência para validar a necessidade do produto: "Através de extensas pesquisas conduzidas pelos cientistas do Pond's Institute, para vários países, incluindo a Índia, conseguimos discernir que a expressão ideal da beleza de uma mulher não é apenas uma pele clara, mas uma pele clara e impecável" 

Já em 2011 na Tailândia a empresa  lançou um concurso para entregar 100 mil bolsas de estudo a universitários que tivessem a pele mais clara.  Em outra ação ela instalou no metrô de Bangkok uma propaganda de creme clareador que indicava que aquela fileira de assentos era “reservada à pessoas brancas”.  Segundo a BBC a empresa teve que se desculpar.

Além de causar danos à identidade cultural, auto estima de um povo e aspectos emocionais de jovens, alguns desses produtos podem levar a problemas graves de saúde.  90 por cento das mulheres do Arizona que sofrem de intoxicação por mercúrio eram mulheres hispânicas que usavam cremes para clarear a pele. 


É importante falar sobre isso, a busca pelo embranquecimento da pele não é apenas uma questão de países como a Índia e a Tailândia ou a Nigéria (aonde os produtos chegam a esgotar em 24 horas), o NY Times investigou que é um mercado em expansão nos EUA e obviamente o Brasil já tem seus produtos para clareamento. Em 2014 a Unilever estufou o peito por lançar no país um dos primeiros clareadores do Brasil.  Será que ela quer importar todo esse racismo que vende também? Ficar se desculpando apenas não dá!


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